GESTAR II CARIÚS -CE

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terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Avaliação promove aprendizagem dos alunos", diz especialista

Entrevista

"Avaliação promove aprendizagem dos alunos", diz especialista


Autor:Arquivo pessoal


A professora da Faculdade de Educação e do Programa de Pós-graduação em Educação da Universidade de Brasília, pedagoga Benigna Maria de Freitas Villas Boas, diz que a avaliação promove a aprendizagem do aluno e deve ser praticada de forma interativa pela comunidade escolar. Mestre em educação pela Universidade de Houston, nos Estados Unidos, doutora em educação pela Universidade Estadual de Campinas e pós-doutora em educação pelo Instituto de Educação da Universidade de Londres ela realiza pesquisas em avaliação da aprendizagem. Leia abaixo a entrevista exclusiva dada ao Jornal do Professor.
JP - O que é avaliação escolar?
BMF - É o processo pelo qual se analisa o trabalho pedagógico desenvolvido por toda a escola, a atuação de todos os que estão nele envolvidos e as aprendizagens de alunos e educadores. Ao referir-me a educadores estou aí incluindo os professores, porque todos interagem com os alunos na escola. Todos praticam a avaliação, que acontece de várias formas na escola. É muito conhecida a avaliação feita por meio de provas, exercícios e atividades quase sempre escritas, como produção de textos, relatórios, pesquisas, resolução de questões matemáticas, questionários etc. Quando a avaliação é realizada dessa forma, todos ficam sabendo que ela está acontecendo: alunos, professores e pais. Esse tipo de avaliação costuma receber nota, conceito ou menção. É o que chamamos de avaliação formal.
Entretanto, há outro tipo de avaliação muito freqüente: é aquela que se dá pela interação de alunos com professores, com os demais educadores que atuam na escola e até mesmo com os próprios alunos, em todos os momentos e espaços do trabalho escolar. É chamada de avaliação informal. Ela é importante porque dá chances ao professor de conhecer mais amplamente cada aluno: suas necessidades, seus interesses, suas capacidades. Quando um aluno mostra ao professor como está realizando uma tarefa ou lhe pede ajuda, a interação que ocorre nesse momento é uma prática avaliativa, isto é, o professor tem a oportunidade de acompanhar e conhecer o que ele já aprendeu e o que ainda não aprendeu. Quando circula pela sala de aula observando os alunos trabalharem, o professor também está analisando, isto é, avaliando o trabalho de cada um. São momentos valiosos para a avaliação.
A diferença entre a avaliação informal e a formal é que a informal nem sempre é prevista e, conseqüentemente, os avaliados, no caso os alunos, não sabem que estão sendo avaliados. Por isso deve ser conduzida com ética. Precisamos nos lembrar sempre de que o aluno se expõe muito ao professor, ao manifestar suas capacidades e fragilidades e seus sentimentos. Cabe à avaliação ajudar o aluno a se desenvolver, a avançar, não devendo expô-lo a situações embaraçosas ou ridículas.

JP - Qual a importância da avaliação escolar?
BMF - A avaliação existe para que se conheça o que o aluno aprendeu, o que ele ainda não aprendeu para que se providenciem os meios para que ele aprenda o necessário para a continuidade dos estudos. Cada aluno tem o direito de aprender e de continuar seus estudos. A avaliação é vista, então, como uma grande aliada do aluno e do professor. Não se avalia para atribuir nota, conceito ou menção. Avalia-se para promover as aprendizagens do aluno. Enquanto o trabalho se desenvolve, a avaliação também é feita. Aprendizagem e avaliação andam de mãos dadas, a avaliação sempre ajudando a aprendizagem.
Avalia-se, também, para saber como foi desenvolvido o trabalho pedagógico de toda a escola e o da sala de aula. Avaliam-se as atividades organizadas pela escola, como conselhos de classe, reuniões com pais, reuniões com professores, atividades esportivas, feiras, exposições, jornal escolar, festas e outras.
Avalia-se a atuação dos professores e dos demais educadores que trabalham na escola. Todos são avaliados e todos avaliam. Cria-se, assim, a cultura avaliativa da escola, baseada na parceria, no respeito mútuo, na responsabilidade, na seriedade e no rigor.
Essa avaliação que promove as aprendizagens do aluno e do professor e o desenvolvimento da escola é denominada de formativa, em oposição à avaliação tradicional, que visa à aprovação e reprovação, à atribuição de notas e se vale quase exclusivamente da prova.

JP - Quais as metodologias que estão sendo utilizadas atualmente para fazer a avaliação da aprendizagem? Quais as mais inovadoras?
BMF - A utilização de procedimentos como a avaliação por colegas, a auto-avaliação e portfólio não exclui a presença da prova no processo avaliativo. Ela é até bem-vinda, quando associada a esses procedimentos, bem planejada e os seus resultados bem aproveitados. Mas, é preciso repensá-la para que ela perca as características que desabonam seu uso. Seus malefícios têm sido largamente comentados. Porém, não é o caso de ela ser abolida. Afinal de contas, temos de nos submeter a ela em vários processos seletivos ao longo da vida profissional. A maneira de usá-la é que precisa ser reconsiderada. Precisamos pensar: qual a sua importância no processo avaliativo? Por que usá-la? Com que objetivos? Quando usá-la? Como articular seus resultados aos de outros procedimentos? O que tem acontecido de errado com ela é o fato de ser o único procedimento de avaliação e de, geralmente, assumir função classificatória.
A avaliação por colegas (da mesma disciplina ou da mesma turma, por estarem desenvolvendo as mesmas atividades) é um componente importante do processo avaliativo e pode ser o primeiro passo para a auto-avaliação. Sabendo que suas atividades serão apreciadas por colegas, eles as prepararão com mais cuidado e, possivelmente, com mais prazer. As tarefas diversas podem ser avaliadas em duplas de alunos e, posteriormente, em grupos de três ou quatro, sempre tendo o acompanhamento do professor. Essa ajuda mútua tem a vantagem de ser conduzida por meio da linguagem que os alunos naturalmente usam. Além disso, os alunos costumam aceitar mais facilmente os comentários de colegas do que os de seus professores.
A auto-avaliação é um componente importante da avaliação formativa. Refere-se ao processo pelo qual o próprio aluno analisa continuamente as atividades desenvolvidas e em desenvolvimento, registra suas percepções e sentimentos e identifica futuras ações, para que haja avanço na aprendizagem. Essa análise leva em conta: o que ele já aprendeu, o que ainda não aprendeu, os aspectos facilitadores e os dificultadores do seu trabalho, tomando como referência os objetivos da aprendizagem e os critérios de avaliação. Dessa análise realizada por ele novos objetivos podem emergir. A auto-avaliação não visa à atribuição de notas ou menções pelo aluno; tem o sentido emancipatório de possibilitar-lhe refletir continuamente sobre o processo da sua aprendizagem e desenvolver a capacidade de registrar suas percepções. O seu grande mérito é ajudar o aluno a perceber o próximo passo do seu processo de aprendizagem. Cabe ao professor incentivar a prática da auto-avaliação pelos alunos, continuamente, e não apenas nos momentos por ele estabelecidos, e usar as informações fornecidas para reorganizar o trabalho pedagógico, sem penalizá-los.

JP - O que o professor deve levar em consideração no processo de avaliação?
BMF - A avaliação serve para encorajar e não para desencorajar o aluno. Por isso, rótulos e apelidos que o desvalorizem ou humilhem não são aceitáveis. Gestos e olhares encorajadores por parte do professor ou professora são bem-vindos. Afinal de contas, a interação do professor com os alunos é constante e muito natural. Uma piscadinha de olho de forma acolhedora e amiga, indicando que o aluno está no caminho adequado, lhe dá ânimo.
Cabe ao professor considerar que avaliação é aprendizagem: enquanto se avalia se aprende e enquanto se aprende se avalia. Essa é a cultura avaliativa que deve presidir o trabalho escolar.

JP - Uma avaliação mal conduzida pode trazer prejuízos? Quais?
BMF - A avaliação descomprometida com as aprendizagens tende a ser desencorajadora, podendo desmotivar o aluno, afastá-lo da escola e até levá-lo ao fracasso. Os resultados da avaliação podem decidir a trajetória escolar dos alunos: permanecer na mesma escola ou transferir-se para outra que lhe faça menores exigências. Não somente notas podem causar desconforto. Cabe refletir sobre o papel da avaliação informal, que dá grande flexibilidade de julgamento ao professor. Um dos exemplos disso é o costumeiro “arredondamento de notas”, que consiste em o professor aumentá-las ou diminuí-las segundo critérios por ele definidos e nem sempre explicitados. Além disso, esses critérios costumam ser diferentes para cada aluno. Uma avaliação mal conduzida pode trazer prejuízos para o aluno, a escola, a família e a sociedade.

AVALIAÇÃO

Múltiplos instrumentos podem aperfeiçoar o processo de avaliação escolar

Autor: Júlio César Paes

A avaliação escolar é, antes de tudo, um processo que tem como objetivo permitir ao professor e à escola acompanhar o desempenho do aluno, diz a professora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP), Clarilza Prado de Souza. E como tal, não deve ser pontual, eventual e realizada somente no final de um período escolar. “Como processo, ela deve permitir acompanhar o aluno no seu cotidiano na escola, identificando seus progressos e retrocessos, suas dificuldades e facilidades”, justifica.
Coordenadora do Centro Internacional de Estudos em Representações Sociais e Subjetividade da Fundação Carlos Chagas, Clarilza acredita que a avaliação escolar, assim concebida, permite ao professor um retorno constante da adequação das atividades realizadas em classe e do desempenho do aluno. Para ela, a avaliação é de fundamental importância para garantir ao professor o direcionamento de suas atividades em sala de aula. “Sem uma avaliação escolar bem planejada e bem desenvolvida o professor desenvolve suas atividades às cegas, apenas na intuição e o aluno não tem parâmetros seguros para orientar seu comportamento, seus estudos e toda sua vida escolar”, diz.
Segundo Clarilza, a avaliação não só orienta o professor no desenvolvimento do ensino, como também o aluno em relação a seu comportamento e seu processo de aprendizagem. Em sua opinião, o professor e a escola devem e podem utilizar múltiplos instrumentos na avaliação escolar, que vão garantir maior confiança nos resultados. De acordo com ela, o constante contato com o aluno e a observação direta permitem o uso de instrumentos variados para analisar facetas diferenciadas do desempenho do aluno, favorecendo orientações para a tomada de decisão. O professor pode usar ferramentas como roteiros de observação do caderno, seminários de classe, portifólios, questionários, bem como a aplicação dos testes.
Para a professora, os modelos de avaliação do processo ensino-aprendizagem do aluno, que são inúmeros, devem ser construídos e adaptados em cada escola. No entanto, acredita, todos devem apresentar condições de oferecer uma avaliação que seja diagnóstica do aluno; dos processos de aprendizagem que o aluno está percorrendo; dos procedimentos e estratégias apresentadas pelos professor; e dos resultados que estão sendo obtidos pelo aluno em classe e na escola.
Graduada em psicologia pela PUC/SP, com mestrado e doutorado em educação na mesma instituição e pós-doutorado na Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais, na França, e na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, Clarilza entende que o aluno é o ponto mais importante a ser levado em consideração pelo professor, em um processo de avaliação.
“Meus alunos estão aprendendo? O que estão aprendendo? Por que não estão aprendendo? Quais os pontos em que eles apresentam maior dificuldades? O que posso fazer para que os alunos adquiram as aprendizagens fundamentais? Por que essas estratégias de ensino não estão dando certo?” são algumas das perguntas que Clarilza acredita devam ser formuladas pelos professores. “Quando estou interessada nas respostas a questões como estas devo realizar um processo de avaliação e, com certeza, ele poderá oferecer bons elementos para orientar sua prática”.
A professora, que desenvolve pesquisas, ministra cursos e atua principalmente nas áreas de avaliação de sistemas, instituições, planos e programas educacionais, além de avaliação de desempenho docente, diz que uma boa avaliação pode e deve ajudar o aluno e o professor a identificar as dificuldades.
(Fátima Schenini)

Como fazer uma semana pedagógica?

Notícias

Como fazer uma semana pedagógica?


Dinâmicas de grupo improdutivas, palestrantes que não conhecem os problemas da escola e discussões de pouca utilidade prática. Algumas vezes essas características podem tornar a semana pedagógica um verdadeiro pesadelo para qualquer professor. Entretanto, com criatividade é possível fazer com que as reuniões de começo de ano sejam uma ferramenta a mais para motivar os professores e criar um bom clima para o ano que está se iniciando. É o que defende o professor do Departamento de Educação da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Geraldo Almeida.
As semanas pedagógicas se dividem em dois momentos: avaliação e planejamento. Segundo ele, é neste momento que se dá a criação de novos projetos pedagógicos para a escola. Ele acredita que é essencial ter em mãos o plano do ano anterior, avaliar o que foi feito, para, em seguida, planejar e criar. Muitas vezes o planejamento foi falho e várias mudanças podem ter ocorrido, a exemplo do ensino de filosofia e sociologia. “É como se a gente estivesse tirando um extrato do banco, só que nesse caso, é um extrato de tudo que foi feito”, explica.
Para fazer o primeiro momento, o da avaliação, de forma mais atrativa, Almeida sugere três atividades:
Fotos e vídeos - A fotografia e o vídeo congelam o momento. No lugar de passar horas lendo relatórios, podemos mostrar por meio de fotos o resultado de projetos que foram realizados durante todo o ano. Acompanhados de um questionário curto, os próprios professores poderão apontar o que deu certo e o que precisa melhorar.
Desenhos e textos – Outra atividade interessante seria pedir para que os alunos fizessem desenhos ou escrevessem sobre as atividades desenvolvidas na escola. Quais atraíram mais a atenção deles? De quais eles não gostaram? O ideal é que os estudantes não se identifiquem. “Dessa forma fica mais lúdico e os professores ouvem os aluno de outra forma. Atividades que para eles podem não ter tanta importância, podem ter um significado inesperado para os alunos.”, defende Almeida.
Palestras - A palestra tem que estar num plano de formação continuada que vai ter eco durante o ano inteiro. Se os professores dizem que o problema é a indisciplina, os palestrantes devem percorrer esse assunto. “Se as palestras não refletirem o problema da escola, elas não trazem uma ajuda, uma reflexão”, esclarece Almeida.
Já na etapa do planejamento, é importante que não só as atividades escolares sejam previstas, como também que os professores procurem delinear o que pretendem fazer naquele ano, profissionalmente. O que acham que precisa ser trabalhado? É necessário fazer algum curso? Veja algumas sugestões.
Troca de papéis – A participação dos pais também é importante nas semanas pedagógicas. Uma forma de envolvê-los é convidando-os a assumirem uma função dentro da escola. Eles fazem o planejamento como se fossem o professor de matemática ou a merendeira. Com isso, surgem várias idéias e projetos.
Metas pessoais – Não só a escola como também cada aluno e cada professor tem que ter a sua meta para superar. Pode ser escrever um livro, levar os alunos para determinado passeio, adquirir um bem, ser promovido.
(Renata Chamarelli)