GESTAR II CARIÚS -CE

GESTAR II CARIÚS -CE

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

ENSINO E EDUCAÇÃO DE QUALIDADE

Ensino e educação de qualidade (!?)

Especialista em mudanças na educação presencial e a distância
Texto publicado no livro Novas Tecnologias e Mediação Pedagógica, 12ª ed. Campinas: Papirus, p.12

 
Há uma preocupação com ensino de qualidade mais do que com a educação de qualidade. Ensino e educação são conceitos diferentes. No ensino se organizam uma série de atividades didáticas para ajudar os alunos a que compreendam áreas específicas do conhecimento (ciências, história, matemáticas).
 
Na educação o foco, além de ensinar, é ajudar a integrar ensino e vida, conhecimento e ética, reflexão e ação, a ter uma visão de totalidade. Fala-se muito de ensino de qualidade. Muitas escolas e universidades são colocadas no pedestal, como modelos de qualidade. Na verdade, em geral, não temos ensino de qualidade. Temos alguns cursos, faculdades, universidades com áreas de relativa excelência. Mas o conjunto das instituições de ensino está muito distante do conceito de qualidade.
O ensino de qualidade envolve muitas variáveis:
  • Organização inovadora, aberta, dinâmica. Projeto pedagógico participativo.
  • Docentes bem preparados intelectual, emocional, comunicacional e eticamente. Bem remunerados, motivados e com boas condições profissionais.
  • Relação efetiva entre professores e alunos que permita conhecê-los, acompanhá-los, orientá-los.
  • Infra-estrutura adequada, atualizada, confortável. Tecnologias acessíveis, rápidas e renovadas.
  • Alunos motivados, preparados intelectual e emocionalmente, com capacidade de gerenciamento pessoal e grupal.
O ensino de qualidade é muito caro, por isso pode ser pago por poucos ou tem que ser amplamente subsidiado e patrocinado.
Poderemos criar algumas instituições de excelência. Mas a grande maioria demorará décadas para evoluir até um padrão aceitável de excelência.
Temos, no geral, um ensino muito mais problemático do que é divulgado. Mesmo as melhores universidades são bastante desiguais nos seus cursos, metodologias, forma de avaliar, projetos pedagógicos, infra-estrutura. Quando há uma área mais avançada em alguns pontos é colocada como modelo, divulgada externamente como se fosse o padrão de excelência de toda a universidade. Vende-se o todo pela parte e o que é fruto as vezes de alguns grupos, lideranças de pesquisa, como se fosse generalizado em todos os setores da escola, o que não é verdade. As instituições vendem externamente os seus sucessos - muitas vezes de forma exagerada - e escondem os insucessos, os problemas, as dificuldades.
 
Temos um ensino em que predomina a fala massiva e massificante, um número excessivo de alunos por sala, professores mal preparados, mal pagos, pouco motivados e evoluídos como pessoas.
Temos bastantes alunos que ainda valorizam mais o diploma do que o aprender, que fazem o mínimo (em geral) para ser aprovados, que esperam ser conduzidos passivamente e não exploram todas as possibilidades que existem dentro e fora da instituição escolar.
A infra-estrutura costuma ser inadequada. Salas barulhentas, pouco material escolar avançado, tecnologias pouco acessíveis à maioria.
 
O ensino está voltado, em boa parte, para o lucro fácil, aproveitando a grande demanda existe, com um discurso teórico (documentos) que não se confirma na prática.. Há um predomínio de metodologias pouco criativas; mais marketing do que real processo de mudança.
É importante procurar o ensino de qualidade, mas conscientes de que é um processo longo, caro e menos lucrativo do que as instituições estão acostumadas.
 
Nosso desafio maior é caminhar para uma educação de qualidade, que integre todas as dimensões do ser humano. Para isso precisamos de pessoas que façam essa integração em si mesmas do sensorial, intelectual, emocional, ético e tecnológico, que transitem de forma fácil entre o pessoal e o social. E até agora encontramos poucas pessoas que estejam prontas para a educação com qualidade.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

PROJETO DE LEITURA


Leitura de textos literários para os alunos
Prêmio Victor Civita - Educador Nota 10
  FONTE: Nova Escola.
Objetivo geral 

Formar professores para o trabalho com leitura de textos literários para os alunos.

Objetivos específicos 
- Estudar comportamentos, procedimentos e propósitos leitores.
- Compreender o que os alunos aprendem com a leitura em voz alta feita pelo professor.
- Estudar a prática e a intenção dos momentos de leitura (o antes, o durante e o depois).
- Tornar a leitura de textos literários uma atividade permanente em toda a escola.

Conteúdos
- Concepção de leitura.
- Formação de leitores.
- Modalidades organizativas.
- Leitura em voz alta pelo professor.

Anos
1º ao 5º.

Tempo estimado
Um semestre.

Material necessário
Cartolina, pincel atômico, os textos citados neste projeto, retroprojetor ou data show e filmadora.

Desenvolvimento 
 
1ª etapa Diagnóstico da leitura
Observe como e com quais objetivos os professores leem para as crianças e o que ocorre antes, durante e depois da apreciação dos livros literários.

2ª etapa Introdução do projeto
Inicie o encontro de formação lendo uma obra literária (escrita para adultos) em voz alta, com o objetivo de você servir como bom modelo de leitor para os professores. Conte que todas as reuniões pedagógicas começarão assim e que, após cada leitura, haverá espaço para comentários sobre as percepções a respeito da leitura. Sugira que os professores abram esse tipo de debate com os alunos quando lerem para eles. Em seguida, apresente a proposta de formação e os objetivos a ser alcançados. Compartilhe as cenas que observou em sala de aula, criando condições para que todos percebam a necessidade de desenvolver o trabalho. Combine que você fará outras observações para acompanhar a evolução do trabalho e dará devolutivas ao grupo. Diga também que, a cada encontro, todos devem fazer registros reflexivos sobre o que aprenderam ou ainda
têm dúvidas.

3ª etapa Reflexão inicial
Comece a atividade oferecendo à equipe textos de literatura infantil variados, como contos, crônicas e poesias. Peça que escolham um para ler. Deixe que analisem o material por dez minutos e depois justifiquem a opção feita, levando-os a refletir sobre as primeiras impressões causadas pela capa e contracapa e pelos textos da orelha e da apresentação. Ressalte a importância de compartilhar os critérios de seleção. Essas observações e a troca de opiniões são alguns dos comportamentos leitores a ensinar aos alunos. Converse sobre outros critérios usados para selecionar livros, como o conhecimento prévio sobre o autor, a editora e o gênero. Registre o que foi discutido e, para a próxima reunião, solicite a leitura do capítulo 4 do livro Ler e Escrever na Escola - O Real, o Possível e o Necessário, de Delia Lerner.

4ª etapa Discussão de conceitos
Assista com o grupo ao vídeo Aprender a Linguagem que Se Escreve, do Programa de Formação de Professores Alfabetizadores (Profa), do Ministério da Educação (MEC). Baseado nele e no texto de Delia Lerner, levante a discussão sobre como a escola trata a leitura literária. Coloque questões como: com que finalidade se lê? O que é preciso saber para ajudar os alunos a ser leitores autônomos? A própria equipe tem hábitos leitores no tempo livre? Repare se os professores percebem que o ensino da leitura deve ser intencional e exige um planejamento com objetivos claros. Proponha a confecção conjunta de um quadro com os comportamentos, propósitos e procedimentos leitores para consultas futuras. Elabore com a equipe um planejamento de leitura em voz alta no qual constem os seguintes itens: como o professor apresentará o livro, fará a leitura e mostrará as imagens; em que momentos da história ele pode parar para que os alunos antecipem o que vai acontecer e como será a conversa após a leitura.

5ª etapa Acompanhamento
Faça observações das atividades com base no planejamento feito coletivamente, avalie os avanços e o que ainda falta aprimorar. Filme os procedimentos na sala de aula a fim de estudar na próxima reunião pedagógica as teorias implícitas na atividade. Registre, em especial, os seguintes passos dos professores:
- Antes da leitura Ele explicitam os critérios de escolha? Apresentam autor, ilustrador, título, gênero e editora? Investem na estratégia de antecipação?
- Durante Fazem entonações e pausas? Dão emoção ao texto? Preocupam-se em mostrar as ilustrações? Permitem que as crianças repitam falas conhecidas ou cantem músicas da história?
- Depois Fazem comentários? Instigam os alunos a opinar? Retomam trechos?

6ª etapa Tematização
Comente os resultados da observação com a equipe e sistematize com os professores, em uma tabela, os passos citados na etapa anterior. É hora de debater sobre como eles contribuem para a ampliação dos comportamentos leitores. Para isso, tematize a prática de sala de aula, assistindo ao vídeo gravado em classe e refletindo sobre ele.

7ª etapa Seleção de boas obras
Proponha aos professores a leitura de duas versões de uma mesma história. Por exemplo, o livro Branca de Neve, dos irmãos Grimm, nas versões original e adaptada. Reflita sobre as diferenças entre as obras e sobre o que uma adaptação precisa para ser boa (como preservar as características dos personagens). Combine que todos pesquisarão boas obras para o acervo da escola. Retome o capítulo 4 do livro Ler e Escrever na Escola, no qual há um texto sobre a gestão do tempo, e discuta a importância de tornar a leitura literária uma atividade diária permanente.

Avaliação

Use os registros reflexivos e as observações de sala de aula para avaliar o andamento do projeto e replanejá-lo quando preciso. Analise se os professores veem os comportamentos leitores como conteúdos, leem para os alunos com diferentes propósitos e planejam as leituras. Lembre que devem ficar atentos às reações dos alunos - se há curiosidade sobre o autor e se eles antecipam acontecimentos.

Consultoria: Ana Amélia Inoue e Débora Rana
Selecionadoras do Prêmio Victor Civita - Educador Nota 10.

Investimento em educação


Investimento em educação atinge meta de 5% do PIB e é o maior da história
Quarta-feira, 03 de novembro de 2010 - 18:40
O investimento público direto em educação, em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), chegou a 5% no Brasil – ou seja, alcançou a meta proposta para este ano. O valor representa 1% a mais do que foi investido até 2003 e é o maior já registrado na história do país. Os dados, referentes ao ano de 2009, são do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).

“Agora, estamos ficando alinhados com o que ocorre nos países desenvolvidos”, disse o ministro da Educação, Fernando Haddad, nesta quarta-feira, 3. Ele se referia ao padrão de investimento dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE): em torno de 6% do PIB.

Haddad salientou que todo o incremento, em relação aos anos anteriores, se deu na educação básica. Este ano, o investimento nessa etapa chegou a 4,3% do PIB, enquanto na educação superior o percentual chegou a 0,7%.

O ministro também informou que a distância entre o investimento na educação básica e na educação superior, por aluno, diminuiu ainda mais. Em 2000, a diferença era de 11 vezes. Em 2009, caiu para 5,1 vezes.

Série histórica – O maior salto no investimento público em educação relativo ao PIB se deu em 2006, quando passou de 3,9% no ano anterior para 4,3%. Nos anos seguintes, o percentual subiu para 4,5%, 4,7%, até chegar ao patamar dos 5% em 2009.

No cálculo do investimento público em educação relativo ao PIB não estão incluídas as despesas com aposentadorias e pensões, bolsas de estudo e financiamento estudantil. Os dados referem-se à destinação de recursos consolidada do governo federal, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios.

Letícia Tancredi

terça-feira, 15 de junho de 2010

ROTEIRO DA SEQUÊNCIA DIDÁTICA DAS OFICINAS- OLIMPÍADA DE LÍNGUA PORTUGUESA

ROTEIRO DA SEQUÊNCIA DIDÁTICA DAS OFICINAS
1) Roda de conversa para compartilhar a proposta de trabalho:
·                                 Definir o gênero e o tema discutindo o motivo da escolha; explicar claramente sobre todas as atividades que serão desenvolvidas; organizar as atividades coletivamente, pedindo sugestões, aguçando a criatividade dos alunos. Exposição das atividades com as etapas e propostas definidas. (Cartaz).
 
2) Detectar o conhecimento prévio do aluno:
·                                 Compartilhar o conhecimento dos alunos sobre o gênero; fazendo pergunta, estimulando a participação de todos;propor a produção de um texto individual definindo:a finalidade, o destinatário, as funções do aluno autor no desenvolvimento das atividades; anotar e refletir sobre os conhecimentos dos alunos para fazer as intervenções no decorrer do processo ensino/aprendizagem.
 
3) Ampliar o repertório dos alunos sobre o gênero:
·                                 Elaborar um roteiro de atividades incentivando a leitura, a escrita, a oralidade e a pesquisa, oferecendo textos bons e variados para apreciação dos alunos.
 
4) Analisar as marcas do gênero:
·                                 Sistematizar os conhecimentos e fazer as intervenções favorecendo aos alunos a análise e a identificação dos recursos utilizados pelos autores na escrita. Ex:(as expressões próprias:rimas,aliterações,versos,etc).
 
5) Buscar informações sobre o tema:
·                                 Dar condições para que os alunos aprofundem seus conhecimentos sobre o gênero, explorando as diferentes características do gênero escolhido, ressaltando obras de autores consagrados da literatura brasileira e dos poetas regionais, resgatando poesias populares. Realização de pesquisas e entrevistas. O professor deverá ser o mediador no direcionamento de todas as atividades.
 
6) Produzir um texto coletivo:
·                                 Trocar idéias; expor as dúvidas; compartilhar o conhecimento. Estimular a participação orientando sobre a estrutura do texto, a organização das falas, investigando e fazendo as intervenções necessárias.
 
7) Produção individual do texto:
·                                 Revisar todo o processo de produção, resgatando os recursos aprendidos ao longo da seqüência didática. Pedir que os alunos produzam o texto.
 
8) Revisão e aprimoramento do texto:
·                                 Análise individual dos textos:identificar o que não está bem claro e os aspectos que devem ser melhorados no texto;incentivando os alunos a ler e reler o texto esclarecendo o que não está bem claro,elogiando os pontos positivos,levando-os a refletirem sobre os aspectos que devem ser melhorados.
 
9) Publicar os textos produzidos pelos alunos:
·                                 Organizar um Sarau(exposição dos textos dos alunos, de alguns autores consagrados da literatura brasileira e de poetas regional através de um Recital Poético),envolvendo toda a comunidade escolar.Premiar os melhores textos elaborados pelos alunos.
 

Sequência didática e ensino de gêneros textuais


Sequência didática e ensino de gêneros textuais

Autora: Heloísa Amaral
 
O que são sequências didáticas?

As sequências didáticas são um conjunto de atividades ligadas entre si, planejadas para ensinar um conteúdo, etapa por etapa. Organizadas de acordo com os objetivos que o professor quer alcançar para a aprendizagem de seus alunos, elas envolvem atividades de aprendizagem e de avaliação.

São exemplos de sequências didáticas para o ensino de Língua Portuguesa as oficinas dos fascículos distribuídos nas três edições do Prêmio Escrevendo o Futuro. Nas edições 2004 e 2006, são: Pontos de vista, Poetas da escola e Se bem me lembro... Essas sequências orientam o professor para o trabalho com os seguintes gêneros de texto: artigo de opinião, poesia e memória.
As sequências didáticas são usadas somente para o ensino de Língua Portuguesa?

Não. Podem e devem ser usadas em qualquer disciplina ou conteúdo, pois auxiliam o professor a organizar o trabalho na sala de aula de forma gradual, partindo de níveis de conhecimento que os alunos já dominam para chegar aos níveis que eles precisam dominar. Aliás, o professor certamente já faz isso, talvez sem dar esse nome.
  
Por que usar sequências didáticas ao ensinar Língua Portuguesa?
Para ensinar os alunos a dominar um gênero de texto de forma gradual, passo a passo. Ao organizar uma sequência didática, o professor pode planejar etapas do trabalho com os alunos, de modo a explorar diversos exemplares desse gênero, estudar as suas características próprias e praticar aspectos de sua escrita antes de propor uma produção escrita final.
Outra vantagem desse tipo de trabalho é que leitura, escrita, oralidade e aspectos gramaticais são trabalhados em conjunto, o que faz mais sentido para quem aprende.
O que é preciso para realizar sequências didáticas para os diferentes gêneros textuais?

É preciso ter alguns conhecimentos sobre o gênero que se quer ensinar e conhecer bem o grau de aprendizagem que os alunos já têm desse gênero. Isso é necessário para que a sequência didática seja organizada de tal maneira que não fique nem muito fácil, o que desestimulará os alunos porque não encontrarão desafios, nem muito difícil, o que poderá desestimulá-los a iniciar o trabalho e envolver-se com as atividades.
Outra necessidade desse tipo de trabalho é a realização de atividades em duplas e grupos, para que os alunos possam trocar conhecimentos e auxiliar uns aos outros.
Quais as etapas de realização e aplicação de uma sequência didática de gêneros textuais?

Para organizar o trabalho com um gênero textual em sala de aula, sugerimos a seguinte sequência didática:


1.       Apresentação da proposta
2.       Partir do conhecimento prévio dos alunos
3.       Contato inicial com o gênero textual em estudo
4.       Produção do texto inicial
5.       Ampliação do repertório sobre o gênero em estudo, por meio de leituras e análise de textos do gênero
6.       Organização e sistematização do conhecimento sobre o gênero: estudo detalhado de sua situação de produção e circulação; estudo de elementos próprios da composição do gênero e de características da linguagem nele utilizada.
7.       Produção coletiva
8.       Produção individual
9.       Revisão e reescrita